A maioria das úlceras pépticas é causada por uma infeção por uma bactéria chamada Helicobacter pylori ou por medicamentos anti-inflamatórios ou anti-agregantes plaquetários (como é o caso do ácido acetilsalicílico – aspirina®, a ticlopidina ou o clopidogrel).
Ao contrário do que se pensava anteriormente, o stress e os alimentos picantes não provocam úlcera péptica!
O principal sintoma da úlcera péptica é a dor intensa, localizada na região superior e mediana do abdómen. Esta dor é provocada pela própria ferida, em especial quando o ácido do estômago entra em contacto com ela. A dor caracteristicamente alivia com a ingestão de alimentos e agrava com o jejum. É frequente surgir dor nocturna que acorda o doente. Esta dor pode desaparecer e voltar a surgir após alguns dias ou meses.
Podem, ainda, surgir outras queixas como por exemplo náuseas ou vómitos, por vezes com sangue, fezes pretas (ver hemorragia digestiva) e perda de peso.
Quando não tratadas as úlceras pépticas podem originar:
- Hemorragia digestiva: A hemorragia pode ser em pequena quantidade e apenas ser observável em análises de sangue ou ser massiva e necessitar de internamento e transfusões de sangue;
- Perfuração: As úlceras pépticas podem causar um buraco na parede do estômago ou do duodeno que origina um processo de inflamação e infeção da cavidade abdominal denominado peritonite;
- Cicatrizes e Estenoses: A inflamação pode causar cicatrizes que originam apertos que provocam dificuldade na passagem dos alimentos.
O diagnóstico é efectuado através de um exame endoscópico denominado endoscopia digestiva alta, na qual um tubo flexível é introduzido pela boca e permite a observação do esófago, estômago e duodeno.
Por vezes pode ser necessária a colheita de pequenos fragmentos da mucosa para análise microscópica, com o objectivo de distinguir a úlcera péptica de outras doenças como por exemplo o cancro do estômago.
Para além disso, podem ser necessários exames para avaliar a presença da bactéria Helicobacter pylori.
O tratamento da úlcera péptica inclui:
- Antibióticos destinados a eliminar a bactéria Helicobacter pylori, caso se demonstre a infeção pela bactéria. O tratamento habitualmente utilizado inclui uma combinação de dois a três antibióticos e de um inibidor da supressão do ácido gástrico durante 10 a 14 dias. Após o tratamento, é necessária a confirmação da erradicação da infecção por esta bactéria. O teste mais frequentemente utilizado é um teste respiratório. Habitualmente não é necessário repetir a endoscopia digestiva alta;
- Inibidores da supressão do ácido – Os fármacos mais frequentemente utilizados são os inibidores da bomba de protões (omeprazol, rabeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e esomeprazol). Estes medicamentos inibem de forma intensa e duradoura a secreção de ácido pelas células do estômago e são prescritos, habitualmente, durante cerca de 2 meses, com o objectivo de possibilitar a cicatrização completa da úlcera;
- Evitar ou reduzir o consumo de analgésicos, anti-inflamatórios e anti-agregantes plaquetários.
Não existe necessidade de efectuar alterações aos hábitos alimentares habituais!
A maioria das úlceras pépticas respondem bem ao tratamento. As principais causas de falência do tratamento são o não cumprimento da prescrição médica, a resistência do Helicobacter pylori aos antibióticos prescritos e o consumo excessivo de anti-inflamatórios. Existem, depois, algumas causas menos frequentes para a falência do tratamento, nomeadamente uma doença que provoca aumento da secreção de ácido pelas células do estômago chamada síndroma de Zollinger-Ellison e doenças que provocam úlceras parecidas com a úlcera péptica como é o caso do cancro gástrico e a doença de Crohn.
Caso exista persistência de sintomas após o tratamento ou caso a úlcera péptica se localize no estômago, pode ser necessária a realização de nova endoscopia digestiva alta para excluir outras doenças, em especial o cancro gástrico.
