Algoritmo de tratamento das Terapias Endoscópicas Antirrefluxo

    Observe em um minuto o algoritmo sobre as terapias endoscópicas antirrefluxo.

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    Tack J et al. Aliment Pharmacol Ther 2012

    Delshad SD et al. Gastroenterology 2020

    Reddy DN et al. Frontline Gastroenterology 2026

    Jobe BA et al. Ann Surg 2008

    Hunter JG et al. Gastroenterology 2015

    Trad KS et al. Surg Innov 2018

    McCarty TR et al. Endosc Int Open 2022

    Chavan D et al. Endoscopy 2026

    Inoue H et al. Endosc Int Open 2020

    Inoue H et al. Ann Gastroenterol 2014

    Rodríguez de Santiago E et al. Endosc Int Open 2021

    Patil G et al. Dig Endosc 2020

    Algoritmo de tratamento das Terapias Endoscópicas Antirrefluxo (EART):

    O presente algoritmo engloba as terapias endoscópicas antirrefluxo (EART) mais frequentes na prática clínica para o tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE): a fundoplicatura transoral sem incisão (TIF 2.0 e cTIF) e as intervenções mucosas (ARMA e ARMS). Destina-se a doentes dependentes de inibidores da bomba de protões (IBP) ou com sintomas refratários que procuram alternativas à farmacoterapia de longa duração e à cirurgia invasiva.

     

    Mensagens-chave:

    1. Avaliação pré-procedimento obrigatória: Todos os doentes candidatos a EART devem realizar confirmação objetiva prévia da carga de refluxo. A avaliação formal deve incluir: 1) Endoscopia Digestiva Alta (EDA) para classificar o grau de esofagite (classificação de Los Angeles), a anatomia da válvula cárdica (grau de Hill) e a presença/tamanho de hérnia do hiato; 2) Monitorização de pH-impedância de 24 horas realizada obrigatoriamente sem IBP (suspensão mínima de 1 semana) para quantificar o Tempo de Exposição Ácida (AET) e o número total de episódios de refluxo; 3) Manometria Esofágica de Alta Resolução (HRM) para excluir distúrbios graves de motilidade (aperistalse ou IRP > 15 mmHg) e avaliar a indicação de fundoplicatura concomitante (cTIF).
    2. Critérios gerais de elegibilidade: Os candidatos ideais apresentam sintomas típicos (pirose ou regurgitação) ou tosse crónica com associação sintomática demonstrada em pHmetria, sendo dependentes ou parcialmente refratários a IBP. Devem preencher simultaneamente: hérnia do hiato pequena (£ 2 cm), válvula de Hill grau I ou II (podendo aceitar-se grau III para ARMA), ausência de esofagite grave (graus C ou D de Los Angeles) e IMC < 35 kg/m2.
    3. Contraindicações absolutas: Excluem a maioria das EART e implicam orientação para avaliação cirúrgica convencional (Nissen/Toupet ou Bariátrica): hérnia do hiato > 5 cm (ou > 2 cm sem cTIF concomitante), válvula de Hill grau IV, esofagite grave (Los Angeles C–D), esófago de Barrett com displasia, dismotilidade significativa (aperistalse ou IRP > 15 mmHg) e coagulopatia não corrigida.
    4. Fundoplicatura Transoral Sem Incisão (TIF 2.0 / cTIF): Constitui a primeira escolha para o fenótipo de refluxo clássico com AET > 6% e regurgitação como sintoma dominante. Exige hérnia < ou igual 2 cm e válvula de Hill I–II, utilizando o dispositivo EsophyX para criar uma fundoplicatura anterior de 270° (2–4 cm) fixada com fechos de polipropileno. No estudo TEMPO, demonstrou eficácia sustentada aos 5 anos com 46% dos doentes sem necessidade de IBP.
    5. Intervenções mucosas (ARMA e ARMS):
    • Ablação Mucosa Antirrefluxo (ARMA): Aplica ablação por árgon plasma (APC) a 270° na cárdia para induzir retração cicatricial. É indicada no fenótipo de "predomínio de refluxo" (AET < 6% com > 80 episódios/24h) ou na Hipersensibilidade ao Refluxo (RH), podendo ser tentada em Hill III. Tem menor custo e execução simples, contudo apresenta carácter emergente/investigacional, devendo ser proposta sob protocolo de investigação.
    • Mucosectomia Antirrefluxo (ARMS): Consiste na ressecção endoscópica (EMR ou ESD) de dois terços da circunferência da cárdia ao longo da pequena curvatura. Apresenta taxa de resposta clínica de 80% e descontinuação de IBP em 42% aos 5 anos, mas exige maior diferenciação técnica e tem maior risco de hemorragia ou perfuração.

     


    Tack J, Becher A, Mulligan C, Johnson DA. Systematic review: the burden of disruptive gastro-oesophageal reflux disease on health-related quality of life. Aliment Pharmacol Ther. 2012 Jun;35(11):1257-66. doi: 10.1111/j.1365-2036.2012.05086.x. Epub 2012 Apr 8. PMID: 22486579.  

    Delshad SD, Almario CV, Chey WD, Spiegel BMR. Prevalence of Gastroesophageal Reflux Disease and Proton Pump Inhibitor-Refractory Symptoms. Gastroenterology. 2020 Apr;158(5):1250-1261.e2. doi: 10.1053/j.gastro.2019.12.014. Epub 2019 Dec 19. PMID: 31866243; PMCID: PMC7103516.

    Reddy DN, Kalapala R. Endoscopic antireflux options and beyond: which patients, which techniques? Frontline Gastroenterology. 2026;17(e1):e123. doi:10.1136/flgastro-2025-103563.

    Jobe BA, O'Rourke RW, McMahon BP, Gravesen F, Lorenzo C, Hunter JG, Bronner M, Kraemer SJ. Transoral endoscopic fundoplication in the treatment of gastroesophageal reflux disease: the anatomic and physiologic basis for reconstruction of the esophagogastric junction using a novel device. Ann Surg. 2008 Jul;248(1):69-76. doi: 10.1097/SLA.0b013e31817c9630. PMID: 18580209.

    Hunter JG, Kahrilas PJ, Bell RC, Wilson EB, Trad KS, Dolan JP, Perry KA, Oelschlager BK, Soper NJ, Snyder BE, Burch MA, Melvin WS, Reavis KM, Turgeon DG, Hungness ES, Diggs BS. Efficacy of transoral fundoplication vs omeprazole for treatment of regurgitation in a randomized controlled trial. Gastroenterology. 2015 Feb;148(2):324-333.e5. doi: 10.1053/j.gastro.2014.10.009. Epub 2014 Oct 13. PMID: 25448925.

    Trad KS, Barnes WE, Prevou ER, Simoni G, Steffen JA, Shughoury AB, Raza M, Heise JA, Fox MA, Mavrelis PG. The TEMPO Trial at 5 Years: Transoral Fundoplication (TIF 2.0) Is Safe, Durable, and Cost-effective. Surg Innov. 2018 Apr;25(2):149-157. doi: 10.1177/1553350618755214. Epub 2018 Feb 6. PMID: 29405886; PMCID: PMC5946656.

    McCarty TR, Jirapinyo P, James LP, Gupta S, Chan WW, Thompson CC. Transoral incisionless fundoplication is cost-effective for treatment of gastroesophageal reflux disease. Endosc Int Open. 2022 Jul 15;10(7):E923-E932. doi: 10.1055/a-1783-9378. PMID: 35845021; PMCID: PMC9286770.

    Chavan D, Koduri KK, Singh AP, Maragoni RG, Jagtap N, Kalapala R, Reddy DN. Role of antireflux mucosal ablation in "reflux-predominant" refractory gastroesophageal reflux disease: a randomized sham-controlled trial. Endoscopy. 2026 May;58(5):456-464. doi: 10.1055/a-2740-9297. Epub 2025 Nov 6. PMID: 41197984.

    Inoue H, Tanabe M, de Santiago ER, Abad MRA, Shimamura Y, Fujiyoshi Y, Ueno A, Sumi K, Tomida H, Iwaya Y, Ikeda H, Onimaru M. Anti-reflux mucosal ablation (ARMA) as a new treatment for gastroesophageal reflux refractory to proton pump inhibitors: a pilot study. Endosc Int Open. 2020 Feb;8(2):E133-E138. doi: 10.1055/a-1031-9436. Epub 2020 Jan 22. PMID: 32010745; PMCID: PMC6976329.

    Inoue H, Ito H, Ikeda H, Sato C, Sato H, Phalanusitthepha C, Hayee B, Eleftheriadis N, Kudo SE. Anti-reflux mucosectomy for gastroesophageal reflux disease in the absence of hiatus hernia: a pilot study. Ann Gastroenterol. 2014;27(4):346-351. PMID: 25330784; PMCID: PMC4188931.

    Rodríguez de Santiago E, Sanchez-Vegazo CT, Peñas B, Shimamura Y, Tanabe M, Álvarez-Díaz N, Parejo S, Kazuya S, Marcos-Carrasco N, Vazquez-Sequeiros E, Inoue H, Albillos A. Antireflux mucosectomy (ARMS) and antireflux mucosal ablation (ARMA) for gastroesophageal reflux disease: a systematic review and meta-analysis. Endosc Int Open. 2021 Nov 12;9(11):E1740-E1751. doi: 10.1055/a-1552-3239. PMID: 34790538; PMCID: PMC8589565.

    Patil G, Dalal A, Maydeo A. Feasibility and outcomes of anti-reflux mucosectomy for proton pump inhibitor dependent gastroesophageal reflux disease: First Indian study (with video). Dig Endosc. 2020 Jul;32(5):745-752. doi: 10.1111/den.13606. Epub 2020 Jan 14. PMID: 31834663.


    João Santos-Antunes, Pedro Maciel, Armando Peixoto

    Centro Hospitalar Universitário de São João, ULS São João

    Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

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