Laqueação Elástica de Varizes Esofágicas

As varizes esofágicas são veias anómalas e dilatadas que se formam no esófago, geralmente na sua metade inferior, e que são uma consequência possível das doenças crónicas do fígado. Estas varizes apresentam um risco elevado de hemorragia e, portanto, existem alguns tratamentos que permitem prevenir este acontecimento, sendo a Laqueação Elástica de Varizes Esofágicas um deles. 

Este procedimento terapêutico é realizado através de endoscopia digestiva alta. Após a identificação das varizes e determinada a indicação para o tratamento, é colocado na ponta do endoscópio um dispositivo especial. Este permite aspirar as varizes individualmente e depois aplicar um anel elástico na sua base. Este anel vai impedir a circulação de sangue na variz, acabando esta por ficar obliterada ao fim de alguns dias e impedindo assim que volte a sangrar. 

Para além do aspecto preventivo, a laqueação elástica de varizes esofágicas pode também ser realizada em casos de hemorragia digestiva alta ativa com sede numa variz esofágica, funcionando assim como tratamento eficaz desta complicação.

Preparação

A preparação para uma laqueação elástica de varizes esofágicas eletiva (um tratamento agendado, com o objectivo de prevenir a ocorrência de uma hemorragia), é idêntica à da endoscopia digestiva alta. No caso de o procedimento ser realizado sob anestesia poderão ser exigidos alguns exames e avaliação em consulta de Anestesiologia. Em algumas instituições os doentes são mantidos em vigilância durante as 24 horas seguintes ao procedimento, pelo que deverá estar preparado para esta eventualidade.

No caso de o procedimento ser urgente e motivado por uma hemorragia digestiva alta aguda, a equipa médica e de enfermagem assegurará que este ocorra nas melhores condições de segurança através de medidas de suporte de vida que podem incluir tanto a infusão de soros e medicamentos adequados, como também a transfusão de glóbulos vermelhos ou de outros derivados do sangue. 

Indicações

A laqueação elástica de varizes esofágicas está indicada em duas situações específicas:

  • Prevenção da hemorragia digestiva por rotura de varizes esofágicas – o procedimento é programado de forma a erradicar gradualmente as varizes esofágicas e assim evitar que ocorra uma hemorragia no futuro. A decisão de laquear as varizes tanto pode ocorrer após a identificação de varizes em doentes que nunca sangraram (chamada profilaxia primária) ou algum tempo após um episódio de hemorragia para prevenir a sua recorrência (profilaxia secundária).
  • Tratamento de hemorragia digestiva alta por rotura de varizes esofágicas – quando um doente é submetido a uma endoscopia digestiva alta devido a uma hemorragia aguda e se identifica uma rotura numa variz como causa dessa hemorragia, pode proceder-se imediatamente à laqueação elástica dessa variz o que é altamente eficaz no controlo da hemorragia.

Contra-indicações

Em termos genéricos as contra-indicações são as mesmas da endoscopia digestiva alta.

As alterações da coagulação são uma contra-indicação relativa ao procedimento e devem ser corrigidas sempre que possível. 

A laqueação elástica está contra-indicada nos doentes com história de hipersensibilidade ao látex visto que este é o material utilizado nos anéis elásticos.

Complicações

As complicações mais frequentes são o desconforto abdominal ou da orofaringe após o exame, que estão relacionadas com a própria endoscopia e não com a laqueação. A complicação mais frequente atribuível à laqueação elástica é a dor retro-esternal, que geralmente responde à medicação analgésica. O local onde foram aplicados elásticos pode ao fim de alguns dias ficar ulcerado e causar alguma dor ou mesmo hemorragia. 

Embora seja pouco frequente, esta técnica aumenta também o risco de perfuração do esófago e de desenvolvimento de estenoses esofágicas (redução do calibre do esófago).

Tratando-se de uma técnica invasiva, a endoscopia digestiva alta associada à laqueação elástica de varizes esofágicas pode ter ainda outras complicações graves podendo em casos raros levar à morte.

Se o exame for realizado com sedação ou com anestesia há riscos específicos associados aos fármacos utilizados nestas circunstâncias.

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