Cápsula Endoscópica

A enteroscopia por cápsula ou videocápsula é um método de diagnóstico que consiste na utilização de uma pequena cápsula com uma câmara incorporada que vai captando imagens do tubo digestivo desde que é deglutida até ser expelida nas fezes. À medida que a cápsula progride ao longo do tubo digestivo, a câmara vai tirando centenas de fotografias que são transmitidas para um pequeno gravador de bolso que o doente traz à cintura. A videocápsula permite visualizar o intestino delgado, localizado entre o estômago e o cólon, que constitui um segmento do tubo digestivo dificilmente acessível pelos métodos endoscópicos convencionais.

O procedimento inicia-se em meio hospitalar, com a aplicação de vários adesivos no abdómen, que constituem as antenas que estabelecem a comunicação entre a câmara da cápsula e o gravador que se encontra à cintura do doente num cinto próprio. Ainda sob supervisão do Médico, quando o gravador está operacional, o doente deglute a cápsula com um copo de água. A videocápsula é pouco maior que uma comprimido tradicional, sendo facilmente deglutida. Depois de passar a garganta, o movimento da cápsula ao longo do tubo digestivo não é percetível. O doente pode sair do hospital, conduzir o seu automóvel e, dependendo da profissão, pode regressar ao trabalho, devendo evitar exercício físico ou qualquer atividade que interfira com o gravador. 

Duas horas após deglutir a cápsula o doente pode beber líquidos límpidos, e após 4 horas poderá tomar um lanche ligeiro, uma vez que, nessa altura, a cápsula já terá progredido o suficiente para que os alimentos não interfiram com a captação das imagens. A enteroscopia por cápsula termina cerca de 8 a 10 horas após a deglutição ou mais cedo se o doente detetar a cápsula nas fezes. A videocápsula é desperdiçada juntamente com as fezes, não sendo necessária a sua recolha. Nesta fase retiram-se os adesivos do abdómen e entregam-se ao Médico juntamente com o gravador. A cápsula pode ser expulsa poucas horas após a sua deglutição ou após vários dias, dependendo da motilidade do tubo digestivo de cada doente. Se a cápsula não for detetada nas fezes até 2 semanas após a sua deglutição, o doente deverá procurar o seu Médico, e uma radiografia abdominal permitirá constatar se a cápsula ainda está no tubo digestivo.

Preparação

  • Pelo menos 12 horas de jejum antes da deglutição da cápsula, para assegurar a captação de imagens do tubo digestivo com o mínimo de artefactos.
  • Limpeza intestinal com 2 litros de uma solução de polietilenoglicol cerca de 16 horas antes do início do exame (em alguns centros).
  • Alterar o horário da toma de alguns medicamentos, 2 horas antes ou depois de deglutir a cápsula, para minimizar as interferências com o exame.
  • Planear o tipo de trabalho no dia da videocápsula, uma vez que o exercício físico ou as atividades profissionais muito ativas estão contra-indicadas.
  • Coordenação com a equipa de Cardiologia nos doentes portadores de cardiodesfibrilhadores implantáveis (CDI). 

Indicações

  • Hemorragia Gastrointestinal – identificação da causa da hemorragia gastrointestinal quando a endoscopia digestiva alta e a colonoscopia foram inconclusivas.
  • Diagnóstico e Classificação da Doença de Crohn – visualização de áreas de mucosa inflamada no intestino delgado
  • Diagnóstico de Tumores do Intestino Delgado
  • Diagnóstico e Monitorização da Doença Celíaca
  • Rastreio de Pólipos do Intestino Delgado – em doentes com síndromes polipóides hereditários associados a polipose do intestino delgado
  • Esclarecimento de alterações descritas em exames de imagem (TC ou Ressonância) 

Contra-indicações

  • Ausência de consentimento informado
  • Oclusão intestinal
  • Estenoses do Intestino Delgado
  • Estenoses esofágicas ou Divertículo de Zenker que podem impedir a progressão da cápsula
  • Demência – doentes que não colaborem na deglutição da cápsula ou que possam danificar o equipamento de leitura
  • Gastroparésia severa e perturbações da deglutição (nestes casos a cápsula pode ser colocada por via endoscópica a nível do duodeno)
  • Doentes inoperáveis ou que recusem tratamento cirúrgico
  • Gravidez 

Complicações

A Videocápsula é um procedimento seguro com poucos riscos associados.

A principal complicação desta técnica é a retenção da videocápsula no tubo digestivo, que pode condicionar quadros de oclusão intestinal com necessidade de remoção cirúrgica.

Na maioria dos casos a cápsula é expulsa nas fezes algumas horas ou até dias após a sua deglutição (até 2 semanas). Em casos raros (cerca de 1% dos doentes submetidos a este método) a cápsula pode ficar retida no tubo digestivo. Este risco é ligeiramente superior em doentes com Doença de Cröhn.

Quando a retenção da cápsula além das 2 semanas não condiciona qualquer sintomatologia é lícito adotar uma atitude expectante, e esperar que a cápsula seja expelida naturalmente. Quando a retenção está associada a sinais e sintomas de oclusão intestinal a cápsula tem que ser removida. Dependendo da localização em que a cápsula ficar retida pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para a sua remoção. Nos casos mais simples, a remoção pode ser feita com recurso à endoscopia digestiva alta, colonoscopia ou enteroscopia com balão. 

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