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Campanha Colo-Rectal / Testemunho Catarina Furtado


"Já foi há uns anos mas parece que foi ontem. Chegou de repente, sem aviso, sem mágoa, e de repente também a levou, assim, com muita dor e sem vontade de partir.

A avó Lucinda era minha avó, tinha uma energia contagiante no seu corpo pequenino, rijo e seco. Era cuidadosa com a alimentação e só ela sabia a temperatura ideal do leite que me trazia antes de adormecer. Era a minha avó Lucinda que me receitava pelo telefone os truques para combater as constipações que assaltavam os dias de aulas.

Seria sempre assim, perto de mim, ao longo dos anos até ficar bem velhinha para eu poder tomar conta dela. Mas não, ela acreditava que essa não era a vontade de Deus. Deixou-se levar com muita dor e sem tempo para nos contar todas as histórias que faltavam.

A avó Lucinda faz-me falta. Lembro-me do último dia em que a vi, no hospital. Levei-lhe uma pulseira para que se sentisse bonita. Disse-me que a iria usar em casa, não tardava. Foi nessa altura que percebi a expressão "melhoras da morte".

Nunca mais lhe perdoei. Prometi-lhe vingança.

O cancro do intestino é o tumor que mais mata em Portugal, mas há que gritar bem alto que o rastreio é a forma eficaz de o prevenir. Assim, ele poderá perder muitas batalhas e nós seremos os últimos a rir. E provavelmente é esse o desejo de Deus."

Catarina Furtado, 13/09/2002

 
 
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